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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Vivendo Acima do Sistema

Esses pensamentos vieram a mim em um simples quarto de hotel, numa cidade do interior de São Paulo, depois de ministrar em um abençoado evento, e pedir a Deus que fizesse algo diferente naquele conclave, pois, sinceramente, não suporto mais a mesmice e o marasmo que tomou conta da igreja.

Você já reparou que tudo parece caminhar para uma vala comum? As pessoas parecem que se acostumaram com os iguais que tem acontecido, e penso que isso é prejudicial. Existe um modo de pensar comum, que aqui vou chamar de sistema, e se você não se adequar ou se adaptar a ele, você será alijado, ou excluído do contexto.

Tenho visto e ouvido, intrépidas vozes se calarem repentinamente e caírem no comum, e reservadamente admitirem, que se assim não fizessem, seriam silenciadas por “forças maiores”, que prefiro nem saber quem são. Tiveram que fazer concessões para continuarem. Isso é forte leitor amado, e muito sério também.

Pensei no profeta Elias, que teve que surgir do nada. Cadê sua família? De onde veio? Quem era ele? Quase ou nada se sabe. Apenas que não estava satisfeito com o sistema, e resolveu, no nome do Senhor desafiá-lo.

Onde estavam os sacerdotes, responsáveis pela pureza religiosa? Estavam comprometidos com o sistema, a mercê da impiedosa Jezabel, seguidora de Baal. Onde estavam os levitas? Se não estavam comprometidos, ao menos inseridos no sistema estavam. Acomodaram-se ao sistema, e achavam incômodo desafiá-lo. Então aparece Elias. Sem tradição, sem peso político, sem a tradicional cultura hebraica, oriundo de um local sem vocação para revelar profetas, mas inflamado por uma força e desejo de revelar as mazelas e fraquezas do... SISTEMA.

É sempre assim. Deus não iria usar alguém que estava amoldado ao sistema. Era difícil para alguém lá de dentro, abrir mão de certas vantagens e comodidades que esse sistema oferece. É só você entrar na dele que tudo se resolverá para você.

Penso que Deus só poderia usar Elias mesmo. Ele era profeta. E de profeta a gente sempre espera uma voz áspera, um olhar rude. Gestos agressivos denunciando inflamadamente tudo. Era esse o pensamento de então. Tanto que bem mais tarde, quando Jesus usa o Dom da ciência ante a mulher samaritana e passa a sua vida a limpo, ela admira-se: “...Senhor, vejo que és profeta” (Jo.4:19). O profeta era sempre considerado alguém fora de moda. Ranzinza. Fora dos padrões normais de então. Ele era alguém fora do sistema, e alguém com quem as pessoas tinham pouco contato.

Todos nós sabemos, que é muito mais simples e fácil se calar em meio as dificuldades. Todos nós queremos comodidade. Mas a comodidade faz parte do sistema, e no sistema, está Jezabel, está Acabe, está os desviados israelitas que seguiram ao rei. Se você ficar contra eles, ficará sem dúvidas com o pesado ônus de ser oposição. Ser profeta.

Você poderá até por um momento ser admirado e aplaudido, mas terá que contar apenas com Deus. Os abraços e tapinhas nas costas serão apenas uma forma de te atrair para eles. Mas cuidado. A mão que afaga, é a mesma que apedreja. Você estará sempre no fio da navalha. O sucesso, aplausos e louros, caminharão por uma tênue linha juntamente com as pedradas e os ultrajes. Conte apenas com Deus.

Daniel teve que aprender isso. O sistema era muito forte. De nada adiantava ele salvar o rei, o reino, os súditos, mostrar toda a sua graça. Ele não era comprometido com o sistema, e por isso, vez ou outra, era obrigado a deixar que o impulso profético o dominasse. SOMENTE QUEM TEM O ESPIRITO PROFÉTICO SE POSICIONA CONTRA O SISTEMA!!!

Não há interesse no sistema, que alguém fora dele prospere. Não senhores. Todo impulso tem que vir de dentro para fora. Pelo menos não ameaçarão eles. Há um compromisso interno de nunca desafiá-los, enquanto que quem vem de fora, quererá questioná-los, saber coisas que não podem saber, e implantar suas idéias e ideais. Então vai parar na cova dos leões.

SOLIDÃO

Você terá que aprender a conviver com a solidão. Elias questionou isso com Deus. Tentou lançar em rosto contra o Criador esse fato de ter que lutar sozinho contra o sistema, que tinha vindo de fora e corrompido a nação: “E ele disse: Eu tenho sido em extremo zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos, por que os filhos de Israel deixaram o teu concerto, derribaram os teus altares e mataram teus profetas à espada, e só eu fiquei , e buscam a minha vida para a tirarem” (I Reis19:14). (O grifo é meu).

Estar sozinho contra o sistema não é fácil. A minoria é algo que incomoda a gente. Dá a impressão de estarmos errados, no caminho oposto. Mas o caminho é esse. É andar na contramão do sistema. É chocar-se contra os ideais dele.

Quando Deus dá a Elias a resposta que existiam na nação sete mil joelhos que não se dobraram a Baal, e, que existia um remanescente fiel a Ele (I Reis19:18), me veio a tona um pensamento. Era caso do profeta questionar: "Mas Deus, onde eles estão que não se manifestam"?

Sinceramente, você poderá me dizer que não concorda com o sistema, mas não faz nada para desafiá-lo, sou forçado a dizer que você está cometendo outro erro: OMISSÃO. É isso mesmo. Não dobrar-se diante de Baal era até louvável, mas de pouca valia. Não adorar aquele ídolo era uma obrigação de Israel. Portanto estavam cumprindo apenas com o dever.

Mas onde estavam? Escondidos. Deus teve que trazer Elias para desafiar o sistema. Talvez você seja assim. Não concorda, mas não confronta. Não desafia. Nada faz para mudar as coisas. De nada adianta não dobrar os joelhos diante de Baal se não os dobramos diante de Deus também. Era necessário mais do que rejeitar a Baal, era necessário atitude de confrontação.

Vejo os sete mil que não se dobraram diante de Baal com menos valor do que os cem profetas que Obadias escondeu de cinqüenta em cinqüenta numa cova e os sustentou. Por que eles certamente desafiaram o sistema. Tornaram-se “personas non gratas” diante de Acabe e Jezabel, por isso tiveram que ser escondidos. Ao passo que os sete mil estavam soltos. Eram anônimos entre a multidão.

Elias reclamou da solidão. Não é fácil você ser uma solitária voz que clama no deserto. Numa época em que a visão global é supervalorizada, você se ilhar entre a multidão é terrível. Você quase que se tornará um ermitão. Sem problemas. Deus irá se agradar de você. Te dotará de forças. Pode ter certeza.

3 comentários:

Pastor Marcos Antonio da Silva disse...

Caro pastor Josias, parabéns pelo seu inspirado Blog. Que Deus o use a cada dia como canal de bençãos.
E, muitissimo grato por tuas preciosas palavras em meu pequeno Blog.

Pastor Marcos Antonio
Hyannis, MA - USA

Rozangela Justino disse...

Parabéns pela mensagem tão atual, Pr Josias!
Se desejar receber os meus informativos, envie um e-mail para rozangelajustino@abraceh.org.br
Http://rozangelajustino.blogspot.com
Paz e todo o bem.
Missionária Rozangela Justino

Pastor Geremias Couto disse...

É isso mesmo, meu caro pastor Josias. Às vezes a sensação é que estamos lutando sozinhos. Mas ao levantarmos a voz, descobrimos que existem muitos outros que aguardam apenas alguém que levante a voz para acompanhá-lo. Deus mostrou isso a Elias.

Abraços em Cristo e vamos de Terceira Via!